Liberdade Condicional

Fossem as prisões o fim de nossos poços, haveria algo a se esperançar.
Mas não.
Achamos ser ali o lugar onde distante de seus instrumentos, o homem se encontre a salvo de sua maldade.
Também não.
Na verdade, o mal está ancorado no interior de um coração que se desapegou da vida.
E ali, aprisionado, a vida faz ainda menos sentido e sente-se ainda menos saudade dela.
Pra que percorrer longo caminho até um fim onde ela só se alcança por lembranças esquecidas?
Se for pra ser devolvido ao mesmo arsenal, quer dizer que o mundo continua na mesma e já não faz diferença viver longe dessas grades, pois teimo em decidir que prisão me torna pior.
Esperei pela liberdade.
Mas se antes eu apenas me desviava os anos, deixando-os apodrecer sem colhe-los do seu pé, agora eu mal deixo-os amadurar, pois tenho medo de sentir o seu gosto doce. Prefiro amargar e não desejá-los.
A não ser que uma chave me encontre, me definho eu mesmo.
Uma chave que me abra essa porta que me mantém preso nessa falta de presente e nesse exagero de passado.
O futuro nem peço, por hora me basta o resgate do meu hoje.

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